ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO DE TRABALHO E PRÁTICAS DEATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE EM FISIOTERAPIA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE, EM CAMPO GRANDE / MS

Organization of the work process and comprehensive health care practices in Physiotherapy, in Primary Health Care, in Campo Grande/MS.

REGISTRO DOI:10.5281/zenodo.10440629


Carolina Midori Sako 1
Pedro Igor Cardozo 2


RESUMO

O objetivo deste trabalho é descrever a organização do processo de trabalho e as práticas de atenção integral à saúde em Fisioterapia, no cenário da Atenção Primária à Saúde, no município de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Participaram profissionais fisioterapeutas (n=11), que atuam em unidades de Atenção Primária à Saúde (eMulti/NASF-AP e Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família), e que responderam a questionários eletrônicos autoaplicáveis. Foram empregados a estatística descritiva e o teste qui-quadrado como teste de significância (p<0,05). Observou-se que a minoria dos entrevistados participa da elaboração, implantação e avaliação do Projeto Terapêutico Singular (9,1%), e que menos da metade dos fisioterapeutas promovem ações de educação permanente (45,5%). A minoria desenvolve ações de suporte às equipes, na identificação precoce das deficiências (9,1%), e promove estratégias de atenção à saúde das pessoas com deficiências, através da assistência individual ou coletiva (27,3%). Por outro lado, 72,8% realizam atendimento individual compartilhado, e 91% oferecem apoio às equipes para o trabalho com grupos. Profissionais da eMulti estão mais envolvidos em ações de reabilitação, se comparados aos profissionais residentes (p<0,05). A organização do processo de trabalho e as práticas de atenção integral à saúde dos fisioterapeutas, na Atenção Primária à Saúde, são permeadas por fragilidades e por potencialidades, não havendo diferença entre a atuação dos profissionais da eMulti/NASF-AP e residentes, para a maioria das variáveis estudadas.

Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde. Fisioterapia. Integralidade em

ABSTRACT

The objective of this work is to describe the organization of the work process and the practices of comprehensive health care in Physiotherapy, in the Primary Health Care scenario, in the city of Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Physiotherapist professionals (n=11) participated , who work in Primary Health Care units (eMulti/NASF-AP and Multiprofessional Residency Program in Family Health), and who responded to self-administered electronic questionnaires. Descriptive statistics and the chi-square test were used as a significance test (p<0.05). It was observed that the minority of interviewees participated in the preparation, implementation and evaluation of the Singular Therapeutic Project (9.1%), and that less than half of physiotherapists promote continuing education actions (45.5%). The minority develops actions to support teams, in the early identification of deficiencies (9.1%), and promotes health care strategies for people with disabilities, through individual or collective assistance (27.3%). On the other hand, 72.8% provide shared individual care, and 91% offer support to teams for working with groups. eMulti professionals are more involved in rehabilitation actions compared to resident professionals (p<0.05). The organization of the work process and the integral health care practices of physiotherapists, in Primary Health Care, are permeated by weaknesses and potentialities, with there being no difference between the performance of eMulti/NASF-AP professionals and residents, for the most of the variables studied.

Keywords: Primary Health Care. Physiotherapy. Integrality in Health.

INTRODUÇÃO

A atuação do fisioterapeuta incorpora práticas de recuperação das funções corporais, promoção da saúde e prevenção de doenças e agravos, e é de conhecimento amplo, por tais profissionais, a importância de uma formação crítica e reflexiva, utilizando o saber científico, para conduzir suas decisões em todos os níveis de atenção (CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2002).

De acordo com Schmitt et al. (2020), os cuidados fisioterapêuticos têm se intensificado na Atenção Primária à Saúde (APS), principalmente por dois fatores. O primeiro é a mudança no perfil epidemiológico brasileiro, com o aumento das doenças crônicas. O segundo fator é a própria implementação da Estratégia Saúde da Família (ESF), evidenciando necessidades anteriormente ocultas para o sistema de saúde (SCHMITT et al., 2020). Além disso, existe uma demanda reprimida dos serviços de fisioterapia na atenção secundária, devido ao reduzido número de vagas e à grande quantidade de encaminhamentos por condições que poderiam ser solucionadas na APS (FERRER et al., 2015).

No Brasil, várias possibilidades de atuação, com táticas sobre a reorientação das práticas de fisioterapia, estão em construção (BORNHOFT et al., 2019). Nesse sentido, a ESF definiu a organização da assistência, no nível primário, e, com isso, a fisioterapia começou a discutir e ampliar seu campo de operação, para contribuir com a concretização e consolidação da APS (BRAGHINI; FERRETTI; FERRAZ, 2017).

O Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Primária (NASF-AP), marcado pela atuação do multiprofissional, incluindo a participação do profissional fisioterapeuta, atua como um dispositivo estratégico para ampliar a resolutividade na APS, priorizando o atendimento compartilhado e interdisciplinar, e otimizando o tempo de espera para consultas com especialidades, sendo considerado uma “retaguarda” para as equipes de Saúde da Família (BRASIL, 2014).

No contexto atual, a Portaria GM/MS n° 635, de 22 de maio de 2023, “Institui, define e cria incentivo financeiro federal de implantação, custeio e desempenho para as modalidades de equipes Multiprofissionais na Atenção Primária à Saúde” (BRASIL, 2023), ou seja, as equipes Multiprofissionais na Atenção Primária à Saúde (eMulti) surgem como uma iniciativa do Governo Federal para ampliar o acesso à saúde dos brasileiros. Similar aos objetivos de criação do NASF-AP, em 2008, e a partir de sua experiência, a eMulti é a reformulação da estratégia de cuidados em saúde na APS (BRASIL, 2023).

Para Brito et al. (2018), embora saiba-se que melhorias na condição de saúde da população adscrita no território de abrangências das unidades de saúde da família impliquem na realização de ações de prevenção, promoção e educação em saúde, há pouco tempo, na jornada de trabalho semanal dos profissionais da ESF, destinado à realização dessas atividades. Além disso, é importante que haja o incentivo da formação em saúde da família e comunidade, através de programas de residência e especialização, para impactar positivamente na ESF e, consequentemente, no SUS (BRITO et al., 2018).

No que diz respeito à qualificação de profissionais no Sistema Único de Saúde (SUS), Campo Grande tem experimentado os produtos gerados pelo projeto Territórios Integrados de Atenção à Saúde (TEIAS), implementado na capital em 2020, como Laboratório de Inovação na Atenção Primária à Saúde (INOVAAPS), fortificando a APS através de ações com respaldo científico, e passíveis de serem efetuadas no cotidiano de trabalho. Uma das estratégias do projeto TEIAS é o Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família SESAU/FIOCRUZ (PRMSF), que possui equipes multiprofissionais que atuam na APS local. O fisioterapeuta insere-se no cenário local, como parte das equipes do PRMSF, encontrando um novo campo de atuação profissional e contribuição à APS.

Nesse sentido, escassos trabalhos retratam a atuação do profissional fisioterapeuta no contexto da APS, tanto no cenário da eMulti / NASF-AP, quanto em programas de residência profissional, haja vista que sua inserção é uma realidade recente e em construção. Por outro lado, a análise da atuação de profissionais fisioterapeutas poderá refletir no planejamento, na tomada de decisão e na assistência ofertada ao usuário. Sendo assim, qual tem sido a organização do processo de trabalho e as práticas de atenção integral à saúde desenvolvidas por fisioterapeutas inseridos nesse nível de atenção à saúde em Campo Grande/MS? Existem diferenças significativas na organização do processo de trabalho, e nas práticas de atenção integral à saúde, de fisioterapeutas da eMulti /NASF-AP e por fisioterapeutas inseridos no PRMSF?

4.  METODOLOGIA

Trata-se de um estudo transversal. Os resultados foram avaliados em abordagem quantitativa, por meio de estatística descritiva. A coleta de dados ocorreu em agosto de 2023, no município de Campo Grande, estado de Mato Grosso do Sul (MS), localizado na região Centro-Oeste. Com a finalidade de otimizar a organização e planejamento da Secretaria Municipal de Saúde, o território de Campo Grande é dividido em sete distritos sanitários:

Região Prosa, Segredo, Anhanduizinho, Imbirussu, Bandeira, Lagoa e Centro (MATO GROSSO DO SUL, 2022). Os fisioterapeutas da eMulti / NASF-AP e do PRMSF oferecem cobertura na assistência de 34 unidades de saúde, do tipo Unidade de Saúde da Família (USF) e Unidade Básica de Saúde (UBS).

Do universo de 15 profissionais fisioterapeutas que prestam assistência em 34 USF e UBS, na eMulti / NASF-AP, e em unidades que possuem PRMSF (02 fisioterapeutas atuantes no PRMSF, e 13 fisioterapeutas atuantes em equipes eMulti/NASF-AP), todos foram convidados a participar do estudo.

Foram considerados critérios de inclusão: profissionais de ambos os sexos, que desenvolvem atividades na APS (eMulti / NASF-AP ou PRMSF). Não participaram desse estudo os profissionais que não completarem o preenchimento do instrumento.

A coleta de dados foi realizada com o emprego de um instrumento autoaplicável, previamente elaborado, exclusivamente para este estudo. No presente estudo, os participantes responderam a um questionário eletrônico do tipo estruturado, elaborado a partir do Google

Forms, contendo 31 questões. O questionário foi desenvolvido a partir do “Instrumento de Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica – Núcleos de Apoio à Saúde da Família” (BRASIL, 2015) e do “Instrumento de Avaliação Externa para as Equipes de Atenção Básica, Saúde Bucal e NASF, do Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ)” (BRASIL, 2017), considerando que são instrumentos validados e alinhados aos objetivos da pesquisa. Para opções de resposta, utilizou-se o modelo da Escala de Likert. Antes do envio do questionário eletrônico, os participantes manifestaram aceite em participar da pesquisa intitulada “Organização do processo de trabalho e práticas de atenção integral à saúde em fisioterapia, em Campo Grande, MS”. Os questionários foram enviados e preenchidos por meio eletrônico (e-mail e/ou whatsapp – contatos que foram disponibilizados pela Secretaria Municipal de Saúde Pública – SESAU/PMCG). O tempo estimado de preenchimento do instrumento foi de, aproximadamente, 30 minutos.

Os profissionais foram convidados individualmente a participar voluntariamente da pesquisa. Na mensagem eletrônica, estavam informados: título da pesquisa e instituição; objetivo geral; metodologia, sigilo e confidencialidade e enviada cópia anexa do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), em formato pdf; finalidade da participação; instruções para o preenchimento do questionário, link de acesso ao questionário; prazo para preenchimento do questionário (data inicial e data final); agradecimentos/disposição para esclarecimentos e identificação da pesquisadora. O questionário foi organizado em três eixos: Eixo 1 – perfil sociodemográfico e profissional; Eixo 2 – organização do processo de trabalho em fisioterapia na APS e Eixo 3 – práticas de atenção integral à saúde em fisioterapia na APS, estando às variáveis ajustadas aos objetivos específicos desta pesquisa.

A análise estatística dos dados foi realizada pela utilização do programa estatístico IBM SPSS, versão 24.0. A avaliação da associação entre variáveis independentes e variáveis dependentes foi realizada por meio do teste qui-quadrado, utilizando nível de significância de 5%. O mesmo teste foi empregado na avaliação da associação entre diferentes questões respondidas pelos profissionais. Outros resultados deste estudo estão apresentados na forma de estatística descritiva (tabelas).

Esse estudo foi submetido e aprovado pela Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande, via “Solicitação de Autorização para Realização de Pesquisa e Projeto de Extensão na Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande – MS”. Essa pesquisa foi apreciada e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da FIOCRUZ-Brasília (CAAE: 70873823.6.0000.8027), via submissão à Plataforma Brasil. Atendeu aos aspectos éticos de diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos, e teve início apenas após esclarecimento dos objetivos da pesquisa e consentimento dos participantes, mediante assinatura do TCLE.

5.  RESULTADOS

Um total de 11 participantes responderam ao questionário, sendo 09 atuantes na Equipe eMulti, e 02 atuantes da Equipe de Residência Multiprofissional em Saúde da Família. Os resultados sobre a distribuição dos profissionais fisioterapeutas, de acordo com o gênero, idade, etnia, estado civil, tipo de equipe e tempo de formação, estão detalhados na Tabela 1.

Tabela 1 Distribuição dos profissionais fisioterapeutas, de acordo com o gênero, idade, etnia, estado civil, tipo de equipe e tempo de formação

Na Tabela 2, estão apresentadas as respostas sobre a organização do processo de trabalho em fisioterapia, referentes às questões acerca do conhecimento da rede de atenção para parcerias intra e intersetoriais, planejamento de ações abordando riscos e agravos individuais e coletivos, desenvolvimento do PTS em conjunto com as equipes, apoio às equipes para o trabalho com grupos e para as ações de educação em saúde.

Tabela 2 Distribuição dos profissionais de acordo com a resposta às questões relativas à organização do processo de trabalho em Fisioterapia na APS

  Os resultados estão apresentados em frequência relativa (frequência absoluta).

Na Tabela 3, estão descritas as respostas a respeito da atenção integral em Fisioterapia, em questões sobre à realização de visitas domiciliares e atendimentos individuais de forma compartilhada com as equipes, discussão com as equipes sobre os casos acompanhados, promoção de ações de educação permanente, desenvolvimento de estratégias de cuidado às pessoas com doença crônicas, e sobre apoio, autocuidado e ampliação da autonomia das pessoas com doenças crônicas.

Tabela 3 Distribuição dos profissionais de acordo com a resposta às questões relativas à atenção integral em Fisioterapia na APS parte I.

Os resultados estão apresentados em frequência relativa (frequência absoluta).

Na Tabela 4, estão descritas as respostas a respeito da atenção integral em Fisioterapia, relativas às perguntas sobre a execução de estratégias de suporte a familiares e cuidadores de pessoas com doenças crônicas, identificação de pessoas com deficiência que residem no território, mapeamento da rede de atenção à saúde, uso de métodos para classificação de risco e vulnerabilidade e pactuação de fluxos em conjunto com as equipes, desenvolvimento de estratégias de atenção à saúde de pessoas portadoras de deficiência, realização de ações de cuidado em reabilitação junto com as equipes, e ações de identificação precoce de deficiências.

Tabela 4 Distribuição dos profissionais de acordo com a resposta às questões relativas à atenção integral em Fisioterapia na APS parte II.

Os resultados estão apresentados em frequência relativa (frequência absoluta).

Na Tabela 5, estão descritas as respostas em relação à atenção integral em Fisioterapia, nas questões sobre as ações de avaliação e orientação de adaptações das condições do domicílio, ações de promoção da inserção das pessoas com necessidades de reabilitação em atividades esportivas, laborais e de lazer, ações em grupos de prevenção de agravos e promoção de saúde no cuidado de pessoas que precisam de reabilitação, a realização de atendimento aos casos de distúrbios osteomusculares, neuromusculares, reumatológicos, uroginecológicos, avaliação e encaminhamento para uso de órtese, prótese e dispositivos auxiliares de locomoção, e realização de abordagem funcional de acordo com as necessidades das pessoas com deficiência ou que precisam de reabilitação.

Tabela 5 Distribuição dos profissionais de acordo com a resposta às questões relativas à atenção integral em Fisioterapia na APS parte III.

Os resultados estão apresentados em frequência relativa (frequência absoluta)

A Tabela 6 apresenta a associação entre o tipo de equipe de atuação dos fisioterepeutas e as respostas as questões sobre a organização e processo de trabalho em Fisioterapia na APS, no que se refere a organização da agenda contemplando a performance junto às equipes, a elaboração e atualização do diagnóstico situacional de saúde do território e uso do PTS em conjunto com as equipes.

A Tabela 7 apresenta a associação entre o tipo de equipe de atuação dos fisioterepeutas e as respostas sobre a atenção integral à saúde em Fisioterapia na APS, nas questões referentes à identificação de pessoas com deficiência que residem no território, o mapeamento da rede de atenção à saúde, o uso de métodos para classificação de risco e vulnerabilidade e pactuação de fluxos em conjunto com as equipes, a execução de ações de identificação precoce de deficiências, realização de ações de cuidado em reabilitação junto com as equipes, desenvolvimento de estratégias de suporte a familiares e cuidadores de pessoas com doenças crônicas, e de estratégias de atenção à saúde de pessoas portadoras de deficiência, bem como, de ações de inserção da pessoa com necessidade de reabilitação em atividades esportivas, laborais e de lazer.

Tabela 6 Avaliação da associação o tipo de equipe e respostas às questões relacionadas à organização e processo de trabalho em Fisioterapia na APS

Os resultados estão apresentados em frequência relativa (frequência absoluta). Valor de p no teste do qui-quadrado.

Tabela 7 Avaliação da associação o tipo de equipe e respostas às questões relacionadas à atenção integral à saúde em Fisioterapia na APS

Os resultados estão apresentados em frequência relativa (frequência absoluta). Valor de p no teste do qui-quadrado.

6.  DISCUSSÃO

Os fisioterapeutas atuantes na APS lidam com o reflexo da gênese da profissão, baseada no modelo biomédico curativista. Dessa forma, esses profissionais buscam atribuir um novo significado em suas práticas, levando em consideração os indivíduos no seu contexto biopsicossocial, a fim de promover a integralidade do cuidado, centrado na funcionalidade humana (MIRANDA, 2019). Considerando a abordagem funcional, e também as observações das necessidades dos usuários que possuem deficiência, ou que precisam de reabilitação, o cenário local apresenta bons índices de desempenho, visto que 90,9% dos fisioterapeutas da APS realizam o exercício profissional concordando com esses dois importantes aspectos citados.

O fisioterapeuta não compõe a equipe mínima de saúde da família; dessa forma, seu desempenho ocorre, hodiernamente, através das eMulti, antigo NASF-AP, “compostas por profissionais de saúde de diferentes áreas de conhecimento, que atuam de maneira complementar e integrada às demais equipes da Atenção Primária à Saúde – APS, com atuação corresponsável pela população e pelo território” (BRASIL, 2023).

Com o intuito de orientar os profissionais que integram os serviços ofertados pelas equipes de saúde da família (eSF), alguns documentos do Ministério da Saúde apresentam diretrizes e ferramentas tecnológicas para organizar o processo de trabalho do NASF-AP, que podem ser reproduzidas nas atuais eMulti. O apoio matricial, o Projeto Terapêutico Singular (PTS), a clínica ampliada, os trabalhos desenvolvidos em grupos, atendimentos domiciliar compartilhado, atendimento individual compartilhado e específico, o uso do genograma e ecomapa contribuem para a articulação e integração com as redes de atenção à saúde (SILVA et al., 2019; BRASIL, 2009; BRASIL,2014).

Apesar das ferramentas instituídas pelo Ministério da Saúde citadas anteriormente, o resultado de um estudo, transversal, descritivo, analítico, aplicado por meio de questionários semiestruturados, realizado com 37 fisioterapeutas de 21 cidades do estado de Mato Grosso do Sul, Brasil, apresentou resultados preocupantes. Nele, os pesquisadores Fernandes et al. (2016) consideraram que uma porcentagem significativa não faz uso das ferramentas tecnológicas em sua rotina de trabalho, com exceção da clínica ampliada, utilizada por 54,1% da amostra; os autores acreditam que esse resultado esteja relacionado ao limitado conhecimento sobre as atribuições do NASF-AP, devido à pouca capacitação e a formação tradicional de profissionais reabilitadores (FERNANDES et al., 2016). O processo de formação dos profissionais limitado a conteúdos majoritariamente biologicistas, e com enfoque em procedimentos e protocolos, colabora com um modelo de atenção à saúde, que destoa da realidade social e possui ações fragmentadas (BISPO; MOREIRA, 2017).

No que se refere ao uso de uma das ferramentas tecnológicas, foi observado um padrão semelhante no presente estudo. Somente 9,1% dos entrevistados participam da elaboração, implantação e avaliação do PTS, em conjunto com as equipes. Por outro lado, alguns resultados são mais animadores, haja vista que 72,8% desses fisioterapeutas realizam atendimento individual compartilhado com as equipes, e 91% oferecem o apoio às equipes para o trabalho com grupos. De acordo com Fernandes et al. (2019), os usuários consideram positivas as práticas de grupo, realizadas pelo NASF-AP, facilitando a criação de vínculos afetivos e fortalecimento das relações interpessoais, gerando resultados terapêuticos (FERNANDES et al., 2019).

Outros autores reforçam que as ferramentas norteadoras do trabalho do NASF-AP ainda são recebidas com resistência pelos profissionais, devido ao descontentamento de aderir a mais um impresso no seu cotidiano, e também em razão do próprio desconhecimento e perfil de formação (SILVA et al., 2019). Nesse sentido, a educação permanente atua como um instrumento imprescindível; porém, no cenário local, menos da metade dos fisioterapeutas, 45,5%, promovem ações com esse intuito. Ademais, é preciso que os fisioterapeutas considerem, em sua prática, a nova perspectiva de atenção à saúde dos indivíduos, incluindo a abordagem familiar e social, compreendendo os determinantes sociais no processo saúde-doença (QUIRINO et al., 2019), levando em conta que o uso das ferramentas tecnológicas facilita essa conduta (BADUY et al., 2017).

A fim de descrever a atuação de fisioterapeutas atuantes no NASF-AP, Souza e Santos (2017) realizaram um estudo quantitativo, transversal, na cidade de Salvador, Bahia, Brasil, com 18 profissionais inseridos no contexto analisado. Verificou-se que a distribuição das atividades dos fisioterapeutas foi: 94% visita domiciliar, 94% grupos na comunidade, 44% projetos de saúde no território, 33% atendimento individual e 33% Projeto Terapêutico Singular. Diante disso, os autores avaliaram a ampliação dos serviços na APS como promissora. E foi possível concluir que, entre as principais demandas de atendimentos, estavam os pacientes de caso neurológico (100%) seguido por pacientes idosos 83% (SOUZA; SANTOS, 2017). Neste estudo, constata-se que 81,9% dos entrevistados efetuam visitas domiciliares, sempre que necessário. E como citado anteriormente, apresentam bons resultados referentes ao atendimento individual compartilhado e apoio no trabalho com grupos, todavia, o mesmo não pode ser dito no que tange a educação permanente e uso do PTS.

Quanto às modalidades dos atendimentos, 90,9% dos fisioterapeutas executam atendimento individual, voltado aos distúrbios osteomusculares. Na ótica da fisioterapia, em relação às condições de saúde comumente encontradas, estão as alterações musculoesqueléticas, acometendo uma parcela significativa das populações e representando um relevante problema de saúde pública (WENDT et al., 2017). Um exemplo frequente são os tratamentos para lombalgia (STOCHKENDAHL et al., 2018); dados apontam que 53,3% dos brasileiros atendidos na APS tiveram pelo menos um episódio de dor lombar nos 12 meses anteriores, e 21,7% sofriam desse quadro crônico (ZANUTO et al., 2020).

Constatou-se que o atendimento individual dos usuários com distúrbios neuromusculares é realizado por 90,9% dos fisioterapeutas entrevistados, e a assistência aos distúrbios reumatológicos é ofertada por 81,9% desses profissionais. Nesses dois tipos de atendimentos não foram encontrados estudos semelhantes, tendo em vista o nível de atenção à saúde analisado. Já os distúrbios uroginecológicos expressam um quantitativo menor de fisioterapeutas que oferecem assistência a esses casos (63,7%), contrapondo-se aos dados da Sociedade Internacional de Continência (ICS), que revelam a considerável prevalência dos casos de incontinência urinária em mulheres, variando de 25% a 45% e aumentando conforme a idade (ABRAMS et al., 2017). Além disso, existem materiais que podem ser utilizados para orientar os pacientes portadores dessa queixa, como por exemplo, cartilhas educativas. Os autores Pontes, Domingues e Kaizer (2021) publicaram um estudo sobre a construção e validação de uma cartilha educativa sobre exercícios pélvicos, que foi ponderada com boa validade de conteúdo e adequada para utilização na APS (PONTES; DOMINGUES; KAIZER, 2021).

No contexto da APS de Campo Grande, satisfatoriamente, 90,9% dos fisioterapeutas oferecem apoio às equipes para realizar ações de educação em saúde. Em contraste, Bim et al. (2021) buscaram investigar as práticas fisioterapêuticas para a produção do cuidado na APS. Para os autores, existe uma alta demanda por atendimentos individuais, com ações voltadas para a assistência e reabilitação, em maior proporção, do que as ações de promoção e prevenção; desse modo, os profissionais utilizam como estratégia, o momento da consulta para realizar educação em saúde (BIM et al., 2021).

Uma das atividades que constitui o processo de trabalho do fisioterapeuta na APS é a avaliação do paciente (LOPES, 2019); o fisioterapeuta de primeiro contato realiza a triagem e procede conforme a necessidade do usuário (CARMO, 2017). Essa organização pode gerar uma redução do tempo de espera, o que proporciona maior satisfação dos pacientes (DOWNIE et al., 2019).

Todavia, constata-se que, mundialmente, a oferta de serviços especializados de reabilitação é escassa em relação à procura (BRIGTH; WALLACE; KUPER, 2018). Ao não receberem o tratamento em tempo oportuno, os pacientes tendem a agravar o quadro, gerando longos períodos de afastamento das atividades laborais e maior tendência de absenteísmo nas consultas agendadas (FARIAS et al., 2019). Existem achados na literatura sobre a atuação do fisioterapeuta na APS, trabalhando na gestão de filas, além do trabalho habitual com a educação e promoção de saúde nas consultas individuais, nos grupos e atendimentos domiciliares (BRAGHINI; FERRETTI; FERRAZ, 2017), e as sessões presenciais somadas aos recursos online (KLOEK et al., 2018).

Outra grande demanda nos serviços de Fisioterapia são os usuários acometidos por sequelas da COVID-19, sendo necessária a continuidade do cuidado após alta hospitalar; dessa forma, é recomendado que os fisioterapeutas da APS tracem planos terapêuticos para esses indivíduos (BRASIL, 2020). E, também, o cuidado às pessoas com doenças crônicas, sendo que 90,9% dos participantes do estudo consideraram que apoiam e realizam o desenvolvimento de estratégias de cuidado a essa população.

A realização de ações de cuidado em reabilitação ocorre entre 63,7% dos fisioterapeutas da eMulti/NASF-AP, em conjunto com as equipes de saúde. Todavia, nenhum fisioterapeuta do PRMSF respondeu que realiza esse tipo de ação. Isso configurou uma diferença estatisticamente significativa (p=0,038), entre os grupos comparados. Contudo, a diferença encontrada pode estar associada a desafios como o pouco tempo de formação; diante disso, consideramos que os profissionais integrantes do PRMSF estão em processo construtivo, adquirindo vivências e conhecimentos na área de atuação.

No escopo das operações do fisioterapeuta na APS, também estão a avaliação e encaminhamento para os setores responsáveis pelas órteses, próteses e dispositivos auxiliares de locomoção, atividade feita por 100% dos fisioterapeutas analisados. Essa prática também é observada no contexto de um programa de residência multiprofissional, atuante em uma USF em Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil, com o intuito de responder a todas as necessidades encontradas nos pacientes (DE FREITAS; PIVETTA, 2017).

As avaliações e orientações sobre adaptações das condições do domicílio, em muitos casos, são requisitadas durante e após os tratamentos de saúde estabelecidos, e estão presentes no trabalho de 72,7% dos profissionais. Essas orientações abordam a preocupação principalmente quanto ao posicionamento dos móveis da casa, o banheiro e os equipamentos auxiliares, e é recomendada por autores como Bispo Júnior (2010).

Costa et al. (2016), ao discorrer sobre a pesceptiva de um programa de residência multiprofissional, na cidade de Parnaíba, Piauí, Brasil, enfatizaram a relevância de sua atuação na territorialização, colhendo informações acerca das potencialidades e dificuldades da comunidade, a caracterização da população e os problemas de saúde mais frequentes, construindo o diagnóstico situacional do território e planos de intervenção para efetividade das ações em saúde. A elaboração e atualização do diagnóstico situacional de saúde do território, tarefa essa efetuada por 45,5% dos entrevistados, é um fator preocupante, uma vez que, menos da metade dos profissionais realizam essa função no cenário analisado. E em concordância com o dado apontado, também existe uma fragilidade quanto à identificação de usuários com deficiência que residem no território e o mapeamento da rede de atenção à saúde existente, somado ao déficit na utilização de métodos de classificação de risco e vulnerabilidade e pactuação de fluxos, em conjunto com as equipes vinculadas, explicitando que apenas 18,2% dos profissionais exercem tais encargos.

O desenvolvimento de ações de suporte às equipes, na identificação precoce das deficiências, e nas estratégias de atenção à saúde das pessoas com deficiências, através da assistência individual ou coletiva, também aparecem como dado alarmante, pois respectivamente expressam que 9,1% e 27,3% dos profissionais agem dessa forma, respectivamente. Nesse sentido, De Freitas e Pivetta (2017) apresentam uma realidade contrastante, onde, após identificada a pessoa portadora de deficiência, é realizada avaliação física e funcional, o acompanhamento terapêutico na USF e no lar do paciente, bem como, solicitação de materiais necessários e de transporte social, em conjunto com equipamentos sociais do território, como o Centro de Referência de Assistência Social e encaminhamento para serviços especializados, (DE FREITAS; PIVETTA, 2017), desse modo, garantindo a atenção a esse público.

Foi apontado por um fisioterapeuta entrevistado que a grande demanda de usuários que precisam de atendimento, assim como o elevado número de equipes apoiadas, dificulta a realização de algumas atividades consideradas importantes. Souza e Santos (2017) mencionam, em seu estudo, que as equipes do NASF-AP lidam com uma grande demanda, principalmente de atendimento individual, dificultando a ampliação da diversidade de suas práticas (SOUZA; SANTOS, 2017).

É considerada limitação do estudo o tamanho da amostra. Porém, esse número corresponde ao diminuto quantitativo de profissionais que se enquadram no campo analisado, e que aceitaram participar da pesquisa (taxa de resposta de 73,3%).

7.CONCLUSÃO

O estudo apresentou aspectos positivos na atenção ao paciente compartilhada com as equipes de saúde, considerando a abordagem funcional e centrada nas necessidades encontradas. Adicionalmente, observa-se que há uma boa cooperação entre os fisioterapeutas da eMulti / NASF-AP e PRMSF com os demais profissionais que compõe as equipes de saúde da família, especialmente no que se refere trabalho desenvolvido com grupos, atendimento individual compartilhado e ações de educação em saúde.

Outros traços favoráveis, relativos à atuação dos fisioterapeutas entrevistados, foram: realização de visitas domiciliares, feitas sempre que necessário, por grande parte dos profissionais, juntamente com as orientações de adaptações das condições do domicílio, e a assistência prestada aos pacientes diagnosticados com alterações osteomusculares, neuromusculares, reumatológicos e, em menor proporção, aos pacientes com quadros uroginecológicos. Também apresenta, em perspectiva otimista, as avaliações e encaminhamentos para setores responsáveis pela confecção e distribuição de órteses, próteses e dispositivos auxiliares de marcha.

Em contrapartida, ainda é preciso avançar no que tange às ações de educação permanente dos profissionais e a utilização do PTS, dado que esta é uma importante ferramenta tecnológica na construção de planos terapêuticos. Além disso, evidencia-se a oportunidade para os fisioterapeutas expandirem seu impacto, adotando uma postura proativa em relação ao diagnóstico situacional de saúde do território, o que inclui a identificação precoce de deficiências e o mapeamento abrangente da rede de atenção à saúde, desempenhando papel crucial ao fomentar a prevenção de agravos e promoção da saúde da população assistida. Para tanto, é essencial que haja corresponsabilização entre trabalhadores, gestores e usuários, com o propósito de garantir uma assistência efetiva.

Não foram notadas diferenças relacionadas à organização do processo de trabalho em fisioterapia na APS, por profissionais que compõem as eMulti / NASF-AP e o PRMSF. E com exceção das ações de cuidado em reabilitação, não houve diferença estatisticamente significante referente à atenção integral à saúde em Fisioterapia na APS entre os fisioterapeutas da eMulti / NASF-AP e o PRMSF.

Por fim, acreditamos que estudos futuros poderão reconhecer o progresso nas práticas de atenção integral em Fisioterapia na APS.

REFERÊNCIAS

ABRAMS, P.; CARDOZO, L.; WAGG, A.; WEIN, A. Incontinence. 6 ed. Tóquio: The

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1Fisioterapeuta, discente do Curso de Pós-Graduação Residência Multiprofissional em Saúde da Família SESAU/Fiocruz, de Mato Grosso do Sul; e-mail: carolinamidoriisako@gmail.com
2Cirurgião-dentista, orientador do Curso de Pós-Graduação Residência Multiprofissional em Saúde da Família SESAU/Fiocruz, de Mato Grosso do Sul; Especialista e Mestre em Saúde da Família. E mail:pedroigordentista@yahoo.com.br.

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